Andamos no Aston Martin DBS Volante Spider

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Por Bob Murray
Fotografia John Wycherley
Test Drives
04/09/2009 06:16:00

            O novo DBS Volante da Aston Martin vai desencadear a fúria de seus 510 cv nas extraordinárias estradas do norte do país de Gales. O DBS é o mais veloz e mais caro Volante da história da Aston.

            A Aston Martin acha que é impossível não o assimilar ao DBS. Apesar de estarem faturando tanto quanto o DB9, ele sempre foi assimilado a um conversível. Uma capota de metal dobrável, estilo Ferrari California, nunca esteve em pauta. Muito peso e muito longe do chão, de acordo com a Aston. Assim, o teto não é nada menos que uma peça elétrica feita com fibra sintética (Thinsulate - 3M). O perfil do teto foi desenhado para imitar o visual do coupé e parecer bonito tanto de dentro quanto de fora. Foi o que conseguiram. Um novo compartimento duplo na traseira esconde o teto retrátil e se mostra ótimo dessa forma. Nem tanto sucesso quanto ao peso frontal: medidas tomadas para manter a estrutura de fibra de carbono e alumínio totalmente imóvel causou um acréscimo de 100 kg ao carro.

            Com teto ou sem? Sem, por favor. Estamos na sede da Aston, em Warwickshire, e prestes a partirmos para Bala. Para baixar o teto basta pressionar um botão por 14 segundos e tudo acontece mais de forma mais suave do que esperava.

            Você espera ver muita coisa no interior, e vê: um design contemporâneo, acabamento impressionante e excelente qualidade. Você não conseguirá ficar com as mãos paradas. Tudo tem que ser tocado: o couro, os apoios de mão de fibra de carbono, o brilhante console de cor negra, o vidro, o alumínio, as barras de metal polido e o vidro sobre o espesso câmbio. A ostentação que a Aston quis mostrar ao utilizar os melhores materiais não foi à toa. Aliás, nada nesse carro foi à toa.

            O que você não gostaria? O espaço e a posição para dirigir se você for um gigante. Eu fiquei abismado. Tudo bem, tenho 1,94 cm de altura, mas o carro ainda ganha de mim por 10 cm. Não consigo imaginar alguém maior de 1,90 cm se sentindo realmente confortável. O banco do motorista não vai para trás o suficiente e o amplo console força você a manter os joelhos unidos, o que significa que você terá que colocar o volante um pouco mais alto para poder ter alguma comodidade ao dirigir. Ficar preso assim é muito frustrante quando se tem dois assentos para criança (99% inúteis) no banco de trás.

            Os bancos da frente tentam confortar um pouco mais que muitos bancos esportivos de segunda linha. Eles seguram você no lugar bem o suficiente, mas são precários por contarem com assentos baixos e suportes ruins. Você vai achar impossível ler o painel com o teto baixado em um dia de sol. E o velocímetro e o tacômetro também não são muito claros. O que aconteceu com aqueles simpáticos relóginhos? A única coisa que você conseguirá ler com o teto baixado será o relógio à moda antiga.

            Você vai se pegar dando uma cotovelada no porta-copos ao mudar de marchas. O Aston não é o único entre os conversíveis em que você vê reflexos no pára-brisa com o teto baixado e uma terrível perda de visão lateral com ele erguido. Dessas coisas você não fugirá. Eu não fugi.

            Mas o barulho foi embora? Nunca. Teto baixado nas estradas de Gales, sol a pino, mas é a sinfonia que deixa um sorriso em seu rosto. Você nunca irá se cansar de ouvir o V12 simplesmente ecoando com suas suaves notas baixas, enquanto, pelo caminho, a música do escapamento é como viajar com uma orquestra assobiando atrás de você. Um pouco de oboé aqui, um pouco de gaita ali, um ocasional repique passando apressado e um convencido murmurinho nas marchas baixas. O show musical começa a 4000 rpm e seu clímax se dá ao pico de 6500 rpm com um educado sonido de precisão instrumental, o que mostra não haver nenhum desgaste mecânico para tanto.

            Você sente a rigidez do carro longe de qualquer ocasional vibração. Mas há um problema com o vento e você não precisara chegar aos 305 km/h para sentir isso. Um terço dessa velocidade é o suficiente para perder papéis com o vento ou ver tudo que estiver solto dentro do carro voando. Há um opcional para desviar o vento, mas eu não sei se ele funciona ou não. Não me importei muito com isso, na realidade.

            Não é um carro difícil de dirigir. Não é duro nas mudanças de marcha, na embreagem ou no volante; os freios não atrapalham, o motor irá, basicamente, pedir qualquer marcha que você esqueça e o passeio é tão bom que você nem irá perceber o quanto anda. Assim, fica fácil lidar com o trânsito apenas com a melodia dos escapamentos dando a dica do que está por vir.

                        Fim de semana prolongado e os turistas estão a todo vapor no norte do País de Gales, com seus ombros queimados e calções com meias. Eles se tumultuam ao redor dos carrinhos de sorvete e lotam as lojas de cidades como Betws-y-Coed, virando suas cabeças em uníssono quando o Aston chega cortando o silêncio. Muito vermelho, barulhento, claramente rápido e caro - e se depara com uma adoração universal. Apesar do fato de nosso querido John estar sentado ao meu lado, dando a impressão de ter saído para passear em uma tarde de sol com seu velhote - muito obrigado por isso John - é tranquilizante sentir tanta vibração positiva para o maior carro esportivo britânico já fabricado.

            Hora de encontrar as boas estradas. Não que não haja alguma por aqui, mas elas estão um pouco irreconhecíveis hoje, com um céu tão claro. Os motoqueiros se divertem, se entrelaçando pela rodovia A4212, mas ninguém está aqui para brincadeira. Então, como brincar com um supercarro conversível de 500 cv sem isso terminar em lágrimas? Mais fácil do que você pensa, mas é melhor esvaziar um lugar como esse com o ocasional barulho do motor do que tentar qualquer outra coisa. Confie em mim.

            Para um carro tão rápido, a performance do Aston é, na verdade, muito real graças a seu modo linear. Você pode, facilmente, correr muito ou pouco, a resposta, ajudada pelos turbos, é sempre consistente. Correr um pouco é como um leve voar, sem muito esforço graças ao super torque durante todo o caminho. Correr muito é um movimento absurdo, que faz com que você engula muito ar enquanto esse maravilhoso motor chega rapidamente aos 7000 rpm de limite. A Aston credita ao Volante os mesmos 4,3 segundos de 0 a 100 km/h que dá também ao coupé, apesar do peso extra. O vento a favor parece deixar o carro ainda mais rápido. Em terceira marcha você pode fazer o que quiser de 15 a 150 km/h. Mas na prática você irá querer usar quantas marchas forem possíveis para aproveitar a velocidade e sentir a suavidade da embreagem que enche você de confiança. De repente, você está acostumado a usar cada um dos 500. Que natural...

            Os freios de cerâmica-carbono são especiais. Sua habilidade de segurar tanta energia despendida, repetidas vezes sem sequer resmungar, é incrível. E a direção? Muito boa, mas não chega a ser excelente. Um pouco leve e vagarosa. Na realidade, ela é rápida o suficiente, mas também leve demais para um carro esportivo. Deveria ter uma relação de caixa de direção um pouco mais rígida. O carro não oferece uma telepatia entre homem e máquina que você gostaria de ter ao dirigir. No entanto, essa não é uma máquina apenas. Ela tem sentimentos.

            Você sente a torção do chassis. Às vezes você sente um pouco de leveza e uma leve contorção da traseira quando o carro entra em uma curva: há uma complacência da suspensão aqui. Admira-me achar que o passeio seria todo perfeito. Você sente os grandes pneus trabalhando bastante quando o nariz do carro afunda para fazer uma curva. Não como um kart faria, mas ainda assim de forma rápida, com certa mudança de direção.

            Ele ainda parece um pouco grande em estradas sinuosas, mas continua tão fácil dirigí-lo em alta velocidade e em baixa também. Você pode agradecer tudo isso a sua estabilidade natural, suas imensas rodas e a seu torque que tirará você de qualquer curva independente da marcha em que tiver. Os buracos, calombos e montanhas das estradas de Gales não desmentem a estabilidade do Aston, seja com o pé fundo no acelerador ou no freio. E digo novamente, a condução é sempre muito boa. Os puristas podem argumentar quanto aos amortecedores na primeira condução, mas isso muda também em uma segunda configuração se pensarmos nas sacudidas que sofremos na média das estradas britânicas. Verdadeiros heróis podem também desligaro controle de tração DSC para terem um pouco mais de emoção. Eu deixei ligado. Eu sei, eu sou um fracote.

            Um fracote envergonhado ouvindo a Rádio 2, com ar-condicionado ligado e teto fechado volta para a base. O Aston pode fazer tudo isso também, fechar o teto a 130 km/h ou mais. Eu não sei como ele se sai a 305 km/h. O que eu sei é que, mesmo com o teto baixado a essa velocidade, o rádio Bang & Olufsen (padrão), com falantes que saem do painel, continua tocando. Desse jeito você andaria mais de 400 km se precisasse.

            O problema seria o conforto nesses 400 km. O espaço reduzido e a posição do motorista neste carro me incomodaram, enquanto os assentos traseiros nada mais são do que uma perda de espaço (e de oportunidade) para se ter mais porta-malas. O porta-malas do Volante é bem desenhado, mas é o terceiro menor entre os coupés.

            Eu não vou ter um desses, mesmo se eu tivesse uma boa grana guardada. Mesmo se eu gostasse de carros esportivos grandes e pesados como este.


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