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Antes apenas um protótipo, o Land Rover LRX terá sua versão definitiva lançada em 2011 graças à ajuda do governo britânico que já emprestou o equivalente a R$ 87 milhões para a marca inglesa controlada pela indiana Tata Motors. Mas o carro terá que ser ecologicamente correto e atenter às necessidades de um mundo em crescentes mudanças. Vamos conhecer o futuro modelo em detalhes.
Claro que existe uma preocupação grande em não colocar o LRX frente a frente com o BMW X6, por exemplo, que é tido como supremo da categoria. O LRX é menor até mesmo que o Freelander, apesar de utilizar a mesma plataforma. Mesmo assim, esperam-se vendas superiores a 40 mil unidades/ano.
Eis então que a CAR foi até um local secreto em Londres, antes mesmo do lançamento oficial do LRX, que aconteceu durante o Salão de Detroit (veja matéria completa nesta edição) para ter uma audiência com o carro e o seu criador: o diretor de design da Land Rover, Gerry McGovern, graduado em artes pela Academia Real de Artes (Royal College of Art), cujo currículo inclui o projeto do Freelander original e MGF, fora algumas passagens pela Chrysler, Peugeot, Rover e Lincoln-Mercury.
O designer de 51 anos está ligeiramente bronzeado, veste um terno cinza claro que contrasta com a gravata verde-limão e o lenço na lapela de mesma cor. Ele nos guia até um estúdio fotográfico enorme. Lá dentro, o primeiro "novo" Land Rover novo - o LRX - está para nos ser revelado desde que McGovern assumiu a diretoria de design em 2006. O conceito das rodas de 20 polegadas somente é visível sob uma capa brilhante prata e está rodeado por designers juniores apreensivos que parecem aguardar um sinal do chefe.
"Quando for vê-lo, não diga nada por um segundo", avisa McGovern, "apenas sinta". Eis então que a capa desliza sedutoramente e o LRX posa nu diante dos nossos olhos para podermos contemplá-lo.
Ele é impressionantemente pequeno, não aparentando ser maior que um VW Golf. A linha do teto inclinada faz com que o LRX aparente estar sendo absorvido pelo chão. Sua traseira levantada e a frente baixa lhe conferem um ar atlético bastante individual. Apesar do logotipo Land Rover, o LRX está mais para o espírito de Range Stormer (tempestade).
Sua aparência é fabulosa, seu estilo e sua postura traduzem uma dinâmica que a Land Rover jamais construiu. Esqueça as linhas tradicionais. McGovern está realmente determinado a ver a produção do LRX sair da fábrica de Solihull o mais fiel possível a suas visões.
"Nós conseguimos nos equiparar ao Mini, Audi TT e Beetle. Todos eles apareceram em salões automotivos como veículos-conceito, mas a produção de carros foi muito fiel àqueles designs. Isso era incomum na época, mas não é mais. Não há motivos para crer que, o que você está vendo no LRX, e isso inclui seu interior, não possa ser concretizado".
Então, enquanto o LRX apresenta ligeiras impressões exibicionistas típicas de um designer - uma faixa pelo painel brilha nas cores vermelho, azul ou verde, dependendo do modo de direção selecionado - e você pode apostar numa interpretação fiel a ângulos, assentos adaptáveis, instrumentos de bordo ao estilo militar e um complicado quadro de luzes. É algo arrojado, mesmo sendo um produto Land Rover.
"Nós queremos brincar com a nossa criatividade, em vez de ficarmos amarrados a ela", diz McGovern. "A nossa marca de design sempre esteve ligada a necessidades funcionais e sempre trabalhamos muito próximos aos engenheiros. Não apenas utilizamos o design pelo propósito lógico. Então você é capaz de enxergar o capô diferenciado (para facilitar o acesso ao motor), recortes na parte dianteira (para permitir a instalação futura de um snorkel, que eleva a posição de captação do ar e permitir off-road mais radical), por exemplo. No LRX nós interpretamos a idéia do Land Rover com fôlego e capacidade".
McGovern não tem palavras para descrever a linguagem de design do LRX, preferindo o envolvimento natural do DNA, do que forçando seu encaixe num estigma. "Nós não estamos apenas envolvidos com a parte racional, mas queremos criar desejos emocionais também", explica. O LRX envolve uma abordagem para a funcionalidade, mas existe uma certa resistência quanto a isso. Consumidores são cientes das marcas, quando não fiéis a elas.
As imagens de uma bicicleta de corrida Bianchi, no valor de R$ 20.000, saem de um projetor. McGovern é um ciclista entusiasmado e adora a precisão mecânica que o conjunto leve de duas rodas apresenta. Ele também fala do acabamento de metal, embutido na beleza de utensílios de cozinha. Para ele, a arquitetura moderna freqüentemente serve como referência e arranha-céus se espelham na estrutura intrínseca do teto de policarbonato panorâmico do LRX.
Surpreendentemente, McGovern fala de bolsas e sapatos de salto alto e caros, enfatizando que as mulheres se sentirão atraídas pelo musculoso veículo. Estranhamente, os homens não são mencionados em sua apresentação, mesmo que o LRX tenha um pacote completo a oferecer a eles: é exclusivo, tem o apelo "olhe para mim" e atributos dinâmicos, além de muita praticidade.
O designer conversa tranqüila e alegremente enquanto anda em volta do carro, encorajando seus subordinados a falarem mais alto e pedir meu feedback. Para demonstrar o quanto o LRX une o prazer único de um Range Rover às qualidades do utilitário da Land Rover, McGovern abre o porta-malas dividido - para que você possa se sentar na hora de piqueniques , retira uma garrafa térmica do cooler integrado "para manter o champagne ou o vinho gelados" e então reclina os bancos traseiros para a frente.
"Você pode colocar duas bicicletas aqui dentro", explica. "Basta tirar suas rodas dianteiras e encaixar os garfos num ponto atrás dos assentos. Porém, no momento estamos tendo discussões: reconheço que o sistema se aplica a bicicletas de corrida, afinal é um carro urbano, mas os outros estão falando em mountain bikes. É tudo muito democrático. Aparentemente eu apóio os outros, já que as pessoas usam mountan bikes na cidade também, eu sei disso, e elas se enquadram melhor ao estilo rústico do LRX.
Ainda que McGovern esteja feliz em discursar, a conversa rapidamente muda para o assunto sustentabilidade e ecologia. Numa era de híbridos e preocupações ambientais, a Land Rover esteve fora desse discurso por um bom tempo, mas o Salão de Frankfurt anunciou que iria tomar todos os cuidados.
Claro, ativistas ecológicos há muito tempo estudaram o caso Land Rover, algemando a si mesmos às revendas da marca na Inglaterra, e o Greenpeace insistia em citar seus modelos como os "inimigos da atmosfera". A repercussão negativa certamente teve grande impacto e agora a Land Rover está procurando ativamente restabelecer o equilíbrio.
O LRX talvez aparente um ser agressivo em razão de sua atitude "predatória", mas ele já vem com a preocupação "verde". O friso acolchoado do teto é feito de plástico reciclado de garrafas pet e o couro usado na forração dos bancos é tratado com pigmentos naturais, tornando sua reciclagem mais fácil.
Um Land Rover híbrido, talvez fabricado em cima da tecnologia que a Ford nos EUA já utilizou no Escape SUV? "E por que não?", É a pergunta que o próprio McGovern se faz. "Mas não há certeza", responde. E assim, os pormenores continuam incertos.
McGovern só confirma que todos os Land Rovers vão manter a tração nas quatro rodas, o controle de descida e o controle absoluto em qualquer terreno que esteja rodando. Mas é só isso. O que de fato é certo, é que o LRX deverá fazer grande sucesso nesse segmento. Nós acreditamos que sim.
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