Toyota Prius roda em Estocolmo, a capital mais ecológica do mundo

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Por Ben Barry
Notícias
29/09/2009 11:11:00

A capital sueca tem a maior concentração de Toyotas híbridos da Europa. Se você pegar um táxi por lá, a chance de sentar num Prius segunda geração é enorme. "É pelo meio-ambiente", dirá o taxista local. Talvez ele se esqueça de mencionar que além da preocupação com o planeta, o generoso desconto no preço - cerca de R$2.400,00 - transforma qualquer um em ecologista, no ato.

 Infelizmente para a Toyota, o Prius não será tão incentivado na Grã-Bretanha. Ele entrará na zona de cobrança no centro de Londres sem pagar pedágio, receberá um adesivo especial no pára-brisa anualmente, e só. O resto é com ele, não terá distinção nenhuma dentro da frota composta por extra-eficientes motores a diesel, turbinados a gasolina de menor tamanho, outros híbridos - cada um deles reivindicando seu quinhão nesse mercado.

 Mas as estatísticas são promissoras: 30,6km/l, 89g/km de Co2, 134cv. Um aumento de 3km/l no consumo e de 22cv na potência, além de uma queda de 15g/km em relação à última geração do Prius, números que ofuscam o Honda Insight, o Golf 1.4 TSi e o BMW 116d. Otimista, a Toyota diz que o Prius é um genuíno competidor da classe, um carro cujas credenciais verdes são apenas parte do pacote, não a maior. O desempenho melhorou, emissões diminuíram, praticidade e segurança aumentaram, requinte e aerodinâmica evoluíram. E ainda está ficando um pouco alemão diante da imprensa, divulgando: "aumento no prazer de dirigir". Impressionante.

 A reestilização não poupou recursos. Na primeira impressão já se percebe o DNA da segunda geração, com feições mais atléticas reforçadas por uma agressiva linha alta curvada, que harmoniza com faróis mais joviais. O interior também está completamente certo. A Toyota julga ter encontrado o equilíbrio perfeito entre um conceito futurista e as funcionalidades do mundo real. Ele é surpreendentemente relaxante - assentos confortáveis, espaço para as pernas e cabeça, tanto nos bancos da frente quanto nos de trás (afinal, o Prius é baseado na plataforma do Avensis) tudo isso numa atmosfera graciosa, graças às cores mais suaves aplicadas no interior e às janelas mais largas. Até mesmo o modo como o porta-copos, o quebra-sol e o porta-luvas se abrem é estranhamente suave. Os então chamados "plásticos ecológicos" ("o primeiro material modelador injetado do mundo derivado de plantas", é o que diz o press release, que veio de florestas preservadas e de outras fontes controladas) que parecem fraquinhos quando manipulados, são bonitos e o efeito granulado é facilmente notado, dando aquele charme de ser ecologicamente correto. O espaço do porta-malas está na média, suportou nosso material fotográfico facilmente, e ainda sobram uns 13cm num compartimento inferior em baixo do carpete.

 Mas é a tecnologia que faz com que o Prius seja especial. Debaixo do capô, o motor 1.8 (derivado do 1.5) tem uma verdadeira central nervosa que administra a distribuição de força através de soluções simples, tudo em nome da economia. O ganho chega a ser de 10% de combustível em velocidades constantes, através da redução de rotações, enquanto sistemas estabilizam a temperatura, tornando a eficiência maior. Parte importante deste sistema é a bomba d'água elétrica, que ajuda a reduzir perdas mecânicas.

 E claro, num carro ecológico, a unidade motriz principal é auxiliada por um motor elétrico que fica debaixo do porta-malas, que atua em conjunto com uma bateria de níquel. Ambos são mais leves, menores e significantemente mais potentes do que os anteriores, atuando principalmente em temperaturas mais frias, úteis especialmente durante o inverno. E por ser um híbrido série/paralelo (veja o painel à esquerda), ele oferece algo que o híbrido paralelo Honda Insight deixa a desejar, e algo que todos os donos de híbridos esperam: silêncio.

 O Prius consegue andar a cerca de 50 km/h apenas com a potência da bateria por até 2 km se você pressionar o botão EV. E, sim, após um belo e longo passeio, chegamos a Estocolmo tão silenciosos quanto um entregador de leite. Se você usar o carro na cidade, certamente utilizará apenas a força elétrica para se locomover no modo EV. Porém, nas acelerações e frenagens, sentirá o trabalho da transmissão "pensando" na transição entre os dois sistemas, que se mostrará através de uma vibração que virá de algum lugar do carro.

 Mesmo que o modo EV se recuse a funcionar, há outros botões para mantê-lo entretido. O botão 'Eco' dá algo como uma anestesia no acelerador, uma dormência que nos remete a anúncios de televisão sobre carros em lugares paradisíacos. O botão 'Power' estimula uma resposta de 25% a mais de potência em caso de necessidade.

 Esse Prius, no entanto, não é apenas um pônei urbano. Na verdade, o motor a gasolina irá regularmente desligar em velocidades abaixo de 70 km/h, mostrando que o Prius agora, faz mais sentido em rodovias do que seu antecessor. Com caminho livre, a potência extra distribuída pelo novo motor 1.8 se faz presente. Ele não é, de forma alguma, um carro rápido, mas tem garra suficiente para encarar ultrapassagens com orgulho em estradas e rodovias. A potência alimenta as rodas dianteiras através de uma transmissão continuamente variável (CVT), mas quando você realmente abusar do conjunto (Imagine uma situação extrema: subindo uma serra, carregado), a força extra do motor não fará você sofrer tanto quanto num Honda Insight, assim como não conviverá com tanto ruído: "Focamos em dissipação ao invés de isolamento", contou-nos o pessoal da engenharia da Toyota. No entanto, o sistema de transmissão silencioso na cidade, incomoda um pouco na estrada - a Toyota poderia aprender algumas lições com o Mk6 e o Golf VI nesse quesito.

 O que dizer então das melhorias dinâmicas? De acordo com a Toyota, há um aumento na rigidez estrutural do carro, melhor dirigibilidade e estabilidade, mas não tente compará-lo com um BMW. O Prius é inofensivo, perfeitamente aceitável para uma pessoa que quer viajar de um lado para outro, mesmo se esses lados sejam próximos. O Prius é também notavelmente melhor que - lá vamos nós outra vez - o Insight. A relação da caixa de direção é mais curta, deixando as reações rápidas. O Prius e suas rodas aro 15 sofrem um pouco com as irregularidades do piso, mas demonstra firmeza e uma sensação de conforto na estrada. Você até pode ficar tentado aos quase R$ 9 mil de diferença para o Insight, mas falando sério, o conjunto vale bem esta diferença, já que o melhor desempenho, requinte, qualidade interior e melhor tecnologia, compensam. Mas se insistir na escolha, não se arrependa depois de ter dado seu dinheiro à turma de Soichiro.

 É claro, você pode achar que as especificações do Prius vão além dos seus R$ 55 mil iniciais, isso em Estocolmo. Nosso T Spirit (R$ 63.509,00, também em Estocolmo) conta com câmera traseira de estacionamento, sistema de navegação e couro nos bancos, além do brinquedinho especial dessa geração: um teto solar que sai pelo equivalente a R$ 4.341,00, mas pesa 28kg. O modelo permite que você ative o ar-condicionado e esfrie o carro antes que você entre nele, um mimo interessante. Também testamos um T Spirit com suas rodas de 17 polegadas, sem teto solar e o achamos muito parecido na maciez, embora o de rodas menores tenha na emissão de Co2 e no consumo, algo perverso. Outros donos de Prius podem jogar ovos em você por isso.

 A conclusão é que o Prius impressiona tanto quanto queria a Toyota. Mas ainda queremos vê-lo fazendo 30 km/l no mundo real, no dia a dia. Veremos se ele faz mesmo, logo logo.

Guia de Observação para os Híbridos

 Há três tipos principais de sistemas de transmissão híbrido diesel/elétrico ou a gasolina. São eles: em série, paralelos e, como o encontrado no Prius, série/paralelo. As rodas de um híbrido em série só são alimentadas por uma força elétrica - o motor a gasolina ou a diesel é utilizado para dar carga ao motor elétrico quando este se encontra sem energia. O Chevy Volt (ainda sob desenvolvimento) é um híbrido em série a gasolina, e o conceito Opel Flextreme utiliza o mesmo tipo de sistema de transmissão com um motor a diesel.

 Um híbrido paralelo sempre utiliza sua energia da bateria paralelamente a um combustível fóssil, e nunca conseguirá trabalhar sozinho apenas com o motor elétrico. A carga elétrica é simplesmente utilizada para ajudar o motor principal. O Honda Insight é um híbrido paralelo.

 O Prius é um série/paralelo e, por isso, combina ambos os elementos. Ele consegue utilizar seus motores a gasolina e elétrico juntos, mas abaixo de 93 km/h, apenas os elétricos trabalham.

 A parte eletrônica, imparcialmente, se mistura com o fluxo de energia e um display no painel faz com que você saiba, exatamente, o que está acontecendo.

             


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